

A Engie Brasil prepara um novo ciclo de investimentos em transmissão de energia que deve superar R$ 6 bilhões até 2030. A estratégia reflete a crescente importância da infraestrutura de transmissão em um cenário marcado pela expansão acelerada das usinas solares e eólicas no país.
Os recursos serão destinados principalmente aos projetos Asa Branca, Graúna e Colibri, que somam milhares de quilômetros de linhas de transmissão e novas subestações em diversas regiões do Brasil. Segundo a companhia, os empreendimentos têm como objetivo ampliar a capacidade de escoamento da energia produzida nos polos de geração renovável e reforçar a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).
O movimento acompanha uma tendência global. A própria Engie destaca que a expansão das redes elétricas se tornou um dos principais desafios da transição energética, já que a infraestrutura atual precisa ser ampliada para conectar novos parques de geração renovável aos centros consumidores.
O maior empreendimento em andamento é o Asa Branca, que receberá aproximadamente R$ 2,7 bilhões em investimentos. O projeto prevê cerca de mil quilômetros de linhas de transmissão entre Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo, com conclusão prevista para 2029. Parte da estrutura já está em operação desde o final de 2025.
Já o projeto Graúna contará com investimentos próximos de R$ 2,9 bilhões e passará por Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina. O sistema incluirá novas linhas, subestações e ampliações de instalações já existentes.
A expansão ganhou novo impulso após o leilão de transmissão realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em março deste ano. Na ocasião, a Engie conquistou novos ativos no Sul e no Nordeste por meio do projeto Colibri, com investimentos estimados em R$ 1,6 bilhão e potencial para gerar cerca de 4,5 mil empregos durante as obras.
A transmissão se tornou uma das principais frentes de crescimento da companhia nos últimos anos. Desde 2018, a Engie já destinou cerca de R$ 8 bilhões ao segmento e atualmente opera aproximadamente 3,2 mil quilômetros de linhas e nove subestações no país.
O foco nesse mercado está relacionado à previsibilidade de receitas. Diferentemente da geração de energia, cuja rentabilidade pode variar conforme preços e condições hidrológicas, as transmissoras recebem remuneração regulada pela disponibilidade da infraestrutura, o que reduz riscos e garante maior estabilidade financeira.
Além dos novos projetos, a empresa também investe em inovação. Um dos destaques é o desenvolvimento da chamada Torre Águia, tecnologia voltada à construção de linhas de transmissão mais eficientes e com menor impacto ambiental. O projeto conta com investimento de R$ 20 milhões e tem conclusão prevista para 2027.
Com a expansão das fontes renováveis e o aumento da demanda por eletricidade nos próximos anos, a infraestrutura de transmissão deve continuar entre os segmentos mais estratégicos do setor elétrico brasileiro, atraindo investimentos bilionários e ampliando a competitividade das grandes companhias de energia.





