
O turismo internacional começou 2026 em ritmo forte no Brasil. Nos quatro primeiros meses do ano, turistas estrangeiros deixaram mais de R$ 20 bilhões na economia brasileira, resultado que reforça a recuperação do setor e o avanço da estratégia do governo para ampliar a presença do país no mercado global de viagens.
Dados divulgados pelo Banco Central mostram que os gastos de visitantes internacionais chegaram a R$ 20,2 bilhões entre janeiro e abril, crescimento de 9,2% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Somente em abril, os turistas movimentaram R$ 4,19 bilhões no país, mantendo o fluxo positivo mesmo em um cenário global ainda marcado por desaceleração econômica em algumas regiões.
O desempenho fortalece uma cadeia que vai muito além de hotéis e companhias aéreas.
Na prática, o turismo funciona como um dos setores com maior capacidade de espalhar renda pela economia, movimentando restaurantes, comércio, transporte, eventos, serviços, entretenimento e pequenos negócios ligados à experiência do visitante.
O crescimento do fluxo internacional também acontece em um momento em que o Brasil tenta reposicionar sua imagem no exterior como destino turístico mais competitivo e conectado globalmente.
Nos últimos meses, o governo federal intensificou negociações com companhias aéreas internacionais para ampliar rotas e aumentar a conectividade do país com mercados estratégicos. Um dos focos atuais é a China.
Nesta semana, o Ministério do Turismo iniciou conversas com a China Eastern, uma das maiores companhias aéreas estatais chinesas, para discutir novas operações entre os dois países. A proposta envolve não apenas voos, mas também ações de promoção do Brasil dentro da estrutura da companhia asiática, incluindo conteúdos culturais e audiovisuais brasileiros exibidos nos voos.
A aproximação com o mercado chinês é vista como estratégica porque a Ásia ainda representa uma parcela relativamente pequena do turismo internacional no Brasil, especialmente quando comparada ao potencial econômico da região.
Além disso, o setor turístico brasileiro também tenta aproveitar um movimento global de retomada das viagens internacionais após os anos mais críticos da pandemia.
Dados da Organização Mundial do Turismo mostram que o turismo global voltou a crescer de forma consistente desde 2024, impulsionado principalmente pela retomada do consumo de experiências, lazer e viagens internacionais.
No Brasil, esse avanço também tem impacto relevante sobre emprego e renda.
O turismo é um dos setores com maior capacidade de absorção de mão de obra e geração de empregos em diferentes níveis de qualificação, principalmente em regiões altamente dependentes da atividade turística.
Ao mesmo tempo, o país ainda enfrenta desafios importantes para ampliar sua competitividade internacional.
Questões ligadas à infraestrutura aeroportuária, conectividade aérea, segurança, promoção internacional e qualificação do atendimento continuam aparecendo entre os principais gargalos apontados pelo setor.
Mesmo assim, o avanço dos gastos de turistas estrangeiros reforça uma percepção que vem ganhando força dentro do mercado: o turismo brasileiro voltou a entrar no radar global e pode se transformar em um dos motores relevantes da economia nos próximos anos.